sábado, 5 de abril de 2014

Despedida inesperada ao Curador do Festival de Cinema de Gramado

                                        José Wilker sai de cena
                                           *20 08 1946   + 05 04 2013  

Como esquecer a voz pontual, suave e a postura elegante, que mesmo em uma sena de raiva, sua expressão era de pura tranquilidade, como esquecer aquele olhar quase que de descaso, mas tão firme que assustavam em suas sena mais fortes como:  “Hoje vou lhe usar.” É impossível simplesmente dizer “adeus”,  a um dos maiores nomes da televisão brasileira. José Wilker, não deixou recados ou deu sequer um sinal que a noite de 03 de abril seria sua última noite em vida, aqui em nossa companhia? Como na vida, ele se foi... assim, tranquilo, sem alarmes. Deixando um legado de bons momentos e lembranças inesquecíveis. José Wilker morreu no apartamento da namorada, a jornalista Claudia Montenegro, em Ipanema. Wilker, que em alguns depoimentos dizia que jamais teve nada e que de uma hora para outra ele tinha alcançado tudo aquilo que um homem precisa para viver, (emprego, moradia e documentos) e que sua vida tinha mudado,  é reconhecido por trabalhos marcantes em novelas como "Roque Santeiro", em que contracenou com Lima Duarte e Regina Duarte, interpretando o personagem-título, e "Senhora do destino", em que interpretou o bicheiro Giovanni Improtta, foi sucesso no papel do ex-presidente Juscelino Kubitschek na minissérie JK. Em 2012 explodiu  com o personagem Jesuíno Mendonça na telenovela Gabriela.  O personagem foi marcado pelo bordão "Vou lhe usar", que se tornou febre nas redes sociais. Narrou a chamada da novela  Amor à Vida, e no meio da trama entrou no elenco como Dr. Herbert, sua última novela.
Entre seus papéis mais marcantes no cinema estão Tiradentes, no filme Os Inconfidentes, de 1972; Vadinho, Flor e Seus Dois Maridos, recorde de bilheteria nos cinemas em 1976; o político Tenório Cavalcanti de O Homem da Capa Preta, de 1986  e Antônio Conselheiro, de Guerra de Canudos, de 1997  e  "Bye bye Brasil". 

José Wilker tinha 67 anos, nasceu em 20 de agosto de 1946, a causa da morte divulgada foi infarto fulminante. Filho de Severino Almeida, caixeiro viajante, e de Raimunda Almeida, dona de casa, José Wilker nasceu em Juazeiro do Norte e mudou com a família, ainda criança, para o Recife e depois para o Rio de Janeiro onde ele pretendia estudar.

A Carreira
O primeiro trabalho de Wilker foi com apenas 13 anos, como figurante no teleteatro da TV Rádio Clube, do Recife. A aparição inicial foi como cobrador de jornal na peça "Um bonde chamado desejo", de Tennessee Williams. Sua carreira no teatro começou no Movimento de Cultura Popular (MCP) do Partido Comunista, onde dirigiu espetáculos pelo sertão e realizou documentários sobre cultura popular.
Seu primeiro filme foi em 1965, A Falecida com uma participação não creditada, em 1985, no elenco de O Homem da Capa Preta. Estreou nas telenovelas em 1971, em Bandeira 2, de Dias Gomes, na TV Globo. Teve três  filhas,  Mariana, com a atriz Renée de Vielmond, Isabel, com a atriz Mônica Torres , e  de seu último relacionamento com Claudia Montenegro teve a filha  Madá. Ele foi casado ainda com a atriz  Guilhermina Guinle.

                     O Festival de Cinema de Gramado e José Wilker
Ralfe Cardoso da Um Produção,  e os  curadores José Wilker,
Marcos Santuário e Rubens Ewald
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O ator, que  sempre olhou para o cinema  com um olhar carinhoso, estava na curadoria do Festival de Cinema de Gramado desde 2012, quando aconteceu a 40º Edição do evento,  ao lado de Rubens Ewald Filho e Marcos Santuário,  compromisso assumido em um momento de mudanças  e de transformação do Festival.  Na época em entrevista divulgada na imprensa nacional ele frisou que este era um desafio, que era o momento de reencontrar e  recomeçar a conversa sobre o cinema com o público de Gramado.  Uma das suas falas que marcaram o momento  das mudanças,  em que a prefeitura de Gramado tinha o evento sob a coordenação da  secretária de Turismo do município, a jornalista Rosa Helena Volk,  foi a de justamente a de José Wilker:  “O Festival de Gramado foi o melhor farol para o cinema brasileiro. Foi também a resistência. Nos anos em que o cinema precisou resistir, ele resistiu. Não se rendeu ao governo de Fernando Collor e se abriu ao cinema latino-americano. E é, além disso, um apoio fundamental para a produção cinematográfica no Rio Grande do Sul”    Mudanças e atitudes foram tomadas para que o Festival pudesse retomar sua história e o prestigio de outrora, com a nova  curadoria, sob responsabilidade dos três, Wilker, Ewald e Santuário, o festival seguia sua história, sob novos e atentos olhares.

Paixão
Apaixonado pelo cinema, o ator participou de filmes como "Xica da Silva" (1976) e "Bye bye Brasil" (1979), ambos de Cacá Diegues, "Dona Flor e seus dois maridos" (1976) e "O homem da capa preta" (1985), que lhe rendeu o  Prêmio de Melhor Ator no Festival de Gramado em 1986.
Sua paixão pela arte de representar ia muito além, ele ainda escreveu textos para revistas e jornais e comentou a cerimônia do Oscar por vários anos, para a TV Globo e para a GloboNews.

Amor ao Pai!
No Facebook, a filha de Wilker, Isabel escreveu uma declaração para o pai e agradeceu as mensagens de apoio: "Só tenho amor, muito amor, e agora saudades, sempre. Obrigada a todos pelo carinho", postou, junto com uma foto.

A despedida!
No Rio de Janeiro,  o espetáculo "Vida, o musical" foi cancelado para a realização do velório, segundo a Secretaria Municipal de Cultura, que será  neste domingo, e logo após  o corpo de do ator  será levado para o Memorial do Carmo, no Caju, Zona Portuária, onde será cremado a partir das 18h. A cerimônia de cremação será aberta somente para familiares e amigos de Wilker.